Alvaro Dias diz que crise atual teria sido evitada se reivindicações tivessem sido atendidas

Em pronunciamento no Plenário na sessão desta segunda-feira (28), o senador Alvaro Dias afirmou que a paralisação dos caminhoneiros iniciada nos últimos dias é uma continuação do movimento iniciado há alguns anos, e que não gerou os resultados desejados pela categoria. Para o senador, a greve atual poderia ter sido evitada se os governos Temer e Dilma tivessem ouvido os caminhoneiros e o próprio Congresso Nacional.
No seu discurso, Alvaro Dias lembrou que há tempos os caminhoneiros reclamam do baixo valor dos fretes, do alto preço dos combustíveis e das dificuldades de pagar as prestações de financiamento de caminhões. O senador relembrou diversos pronunciamentos que fez nos últimos anos destacando as reivindicações dos caminhoneiros, e lamentando a demora do governo em atender a categoria.
“Por que esse impasse envolvendo os caminhoneiros do País? Porque governantes demonstraram ausência de previsibilidade, porque o nosso Governo, especialmente agora o Presidente Temer, demonstrou não possuir a qualidade indispensável ao bom governante, que é a de se antecipar aos fatos. Nós tivemos prenúncio de que a crise se agravaria. Foi como se escrevessem a crônica da crise antecipada”, disse o senador, lendo depois um trecho de discurso que ele fez em 25 de fevereiro de 2015, alertando para as demandas dos caminhonejros que não estavam sendo atendidas.
Alvaro Dias questionou ainda a política de preços da Petrobras, uma vez que o Brasil, como qualquer país produtor de petróleo, não pode definir o valor em função dos custo internacional do produto. Para o senador, é compreensível que a direção da companhia queira cobrir o rombo da Petrobras, mas não é o povo brasileiro quem deve pagar pelo prejuízo e pela corrupção, e sim quem promoveu os desvios.
O senador também criticou a decisão da Petrobras de importar combustível. Ele afirmou que de 2017 para cá, a importação de gasolina cresceu 82% e a de diesel, 67%.
“Eu ouvi o depoimento de um petroleiro que afirmou taxativamente: ‘Nós não estamos trabalhando a todo o vapor. Nós estamos trabalhando na baixa, por orientação do governo’. Qual o interesse do governo em determinar que a Petrobras trabalhe sem a celeridade possível na exploração do petróleo para a produção de combustíveis? Qual a razão? É a importação? Evidentemente, a importação pode atender a interesses da própria Petrobras, que cobra preço alto, pode atender aos interesses dos acionistas, mas não atende ao interesse dos brasileiros”, afirmou Alvaro Dias.