Após pressão do Podemos e mobilização das ruas, PGR prorroga Lava Jato

Após pressão dos parlamentares do Podemos e da sociedade, a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba foi prorrogada até 31 de janeiro. Em agosto, senadores e deputados do Podemos enviaram ofício à Procuradoria-Geral da República reivindicando o prosseguimento da Operação Lava Jato, que representa um importante instrumento no combate à corrupção no Brasil.

A presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP), defende que a força-tarefa atue de forma permanente.

“A Lava Jato deveria ser permanente, ampliada e reforçada. A corrupção continua ativa, drenando os recursos do país. Há muitos processos e investigações em andamento.  Em seis anos de atuação da Lava Jato, foram recuperados mais de R$ 4 bilhões. Podemos recuperar ainda mais se a força-tarefa não tiver prazo de validade”, argumenta Renata Abreu.

O líder do Podemos no Senado, Alvaro Dias (PR), lembra que o Podemos foi o único partido a cobrar oficialmente da PGR a prorrogação da força-tarefa.

“Com a Lava Jato, finalmente, a lei e a Justiça alcançaram poderosos, antes, intocáveis, e quem se julgava acima da lei foi para a cadeia. Mesmo com todo trabalho aplaudido pela sociedade e reconhecido internacionalmente, não faltam aqueles que tentam, diariamente, enfraquecê-la, com objetivo de ver a corrupção triunfar em nosso País”, afirmava documento assinado por Alvaro Dias e pelo deputado federal Léo Moraes (RO) dirigido, no mês passado, ao procurador-geral, Augusto Aras.

Na opinião do deputado federal José Nelto (GO), a decisão proferida pela PGR pode ser classificada como uma vitória contra a corrupção.

“Vencem os brasileiros! Vence o combate à corrupção. Nós, do Podemos, sintonizados com a vontade popular, pressionamos, cobramos e conseguimos. Lamento informar aos corruptos, mas a operação continua”, alerta o parlamentar.

Com a decisão, 14 membros do Ministério Público Federal (MPF) continuarão a frente dos trabalhos da Lava Jato no estado do Paraná.  Além da prorrogação, o vice procurador-geral da República recomendou a adoção de recursos que visem a institucionalização e ampliação da força-tarefa para que o combate à corrupção ocorra em todos os estados do Brasil.

O senador Eduardo Girão (CE) comemora a prorrogação, mas também questiona o curto prazo para execução das mais de 400 investigações em andamento.

“Estranhei esse prazo tão curto de continuidade de uma das operações mais confiáveis e acreditadas do nosso país, mas o que importa é que a Lava Jato continua e seu apoio será fundamental para ela avançar mais. A limpeza ainda não acabou. A gente sabe que tem muito mais gente para prestar contas à Justiça”, defende o parlamentar.

Essa é a primeira vez que a Operação Lava Jato é renovada com prazo inferior ao período de um ano, que foi o prazo aplicado nas duas últimas prorrogações. Desta vez, a força-tarefa irá atuar por mais 4 meses e 12 dias.

Girão lembra que desde o ano passado a Lava Jato tem sido alvo de constantes ataques e reforça a necessidade de que toda a sociedade mantenha a cobrança para que o desmanche desta operação não ocorra.

“A operação vem sofrendo derrotas em ações promovidas por integrantes do Judiciário, do Congresso Nacional e da Procuradoria-Geral da República. Reitero: a sociedade civil precisa se mobilizar pelas redes sociais para impedir o desmonte total da Operação Lava Jato que está em pleno curso pelos três poderes da República. Pela ética em nossa nação”, reforça o senador.

Em conformidade com Eduardo Girão, o senador Styvenson Valentim agradeceu o empenho de todos os parlamentares do Podemos e dos brasileiros que defenderam a Lava Jato.

“Obrigado pela ajuda de todos vocês (parlamentares e brasileiros). A luta no combate à corrupção e à impunidade continua. A Lava Jato ganha novo fôlego, mas temos que nos manter atentos e vigilantes para que essa operação não acabe”, defende o senador.

Desde 2014, de acordo com dados do MPF, a Lava Jato já registrou 74 fases, 113 denúncias, 159 condenados, que resultaram na devolução de R$ 4 bilhões aos cofres públicos.