Coronavírus: Para parlamentares do Podemos, flexibilização e reabertura do comércio sem planejamento pode propagar número de casos

Diante da pandemia do coronavírus e dos protocolos de saúde adotados para frear a propagação do vírus muitas atividades comerciais foram suspensas no país. Após mais de três meses de paralisação, aumento do desemprego e queda na renda, muitas administrações estão fazendo tentativas de reabrir o comércio.

O deputado federal Bacelar (BA) avalia que o país ainda registra elevado número de casos da nova doença – mais de mil mortes diárias – e que a reabertura dos comércios pode ser precoce e influenciar na proliferação da doença.

“Os casos de Covid-19 aumentam a cada dia. Reabrir o comércio ou flexibilizar as atividades nos coloca em uma situação de vulnerabilidade e pode piorar a situação. O Sistema Único de Saúde, por mais investimentos que receba, não conseguirá atender a demanda de infectados. Entendo que, há três meses, a economia está praticamente parada e o Brasil precisa retomar as atividades econômicas, mas este ainda não é o momento”, pondera o parlamentar.

José Nelto (GO) compartilha o mesmo entendimento do deputado Bacelar. Nelto critica a falta da oferta de planejamento por parte do Governo Federal e diz que o Brasil não está preparado para retomada das atividades comerciais.

“Já temos mais de 100 dias do início desta pandemia. O governo precisa de ter um protocolo sanitário seguro para o comércio e para a indústria. Se isso não acontecer, será uma quebradeira geral. É preciso ter muita seriedade e muita responsabilidade na abertura geral do comércio e do setor industrial do Brasil”, adverte o deputado.

O deputado federal Igor Timo (MG), autor do projeto de lei que estabelece regras para abertura gradual de comércios e serviços em todo o país, acredita que a retomada deve ocorrer sob controle rígido de protocolos de segurança para a saúde do brasileiros.

“Saúde e vida são prioridades, não há dúvidas quanto a isso, mas o fechamento de um país também tem efeitos prejudiciais para toda a cadeia de produção. É evidente que o combate à pandemia tem que ser uma política pública calculada e de forma a garantir a maior quantidade de vidas salvas, mas também mantendo as atividades econômicas funcionando na medida do possível”, explica o parlamentar.

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS) são necessários seis critérios para que países devem considerar antes de proceder a retomada das atividades e a suspensão do isolamento. De acordo com o protocolo, a transmissão do coronavírus deve estar controlada; o sistema de saúde deve oferecer suporte para teste, diagnóstico e tratamento de todos os casos; e mapeamento dos contatos do paciente infectado para que sejam acompanhados.

Também estão entre as recomendações o controle aos riscos de surtos em instalações como casas de repouso. Medidas preventivas de higiene deverão ser adotadas em ambientes escolares, de trabalho ou locais públicos com circulação de pessoas. Além disso, os países devem manter o monitoramento quanto a importação de novos casos, com o controle sanitário em fronteiras e aeroportos e a população deve ser amplamente envolvida no processo de adaptação ao chamado “novo normal”.