Parlamentares do Podemos repercutem pedido de demissão do ministro da Saúde

Parlamentares do Podemos manifestaram apreensão com a saída de Nelson Teich, do cargo de ministro da Saúde. O pedido de demissão foi oficializado nesta sexta-feira (15) e acontece no momento em que o país registra crescimento nos números de casos do novo coronavírus.

A presidente Nacional do Podemos, deputada Federal Renata Abreu (SP), classificou como “preocupante” a saída de Nelson Teich.

“A saída do ministro nos entristece. É o segundo ministro da Saúde a deixar o governo em menos de um mês. Assim como o ocorrido com Luiz Henrique Mandetta, esse desligamento perturba e assusta mais ainda a população, porque evidencia que o Brasil está desorganizado e sem foco”, avalia Renata Abreu.

Além disso, a parlamentar questiona até quando o governo irá desconsiderar a aplicação da ciência nas ações de saúde.

“Quantos mais terão de morrer até que o governo federal siga, sem desvios, as recomendações da OMS, da ciência e da medicina para vencer a Covid-19 e voltarmos à normalidade?”, cobra Renata Abreu.

O líder do Podemos na Câmara, deputado federal Léo Moraes (RO), diz que o Brasil não tem mais tempo a perder.

“É preocupante para o país, no momento que o coronavírus parece atingir o pico de transmissão, que tenhamos mais uma vez mudança no comando do Ministério da Saúde, mudanças de política e de protocolos de trabalho, que precisam de tempo para apresentar resultados. E esse tempo, infelizmente, o Brasil não tem mais”, observa o parlamentar.

Léo Moraes lamenta o fato de o país não ter ainda um plano consistente para controle do coronavírus e reabertura gradual das atividades econômicas.

Já era momento de o Brasil, com base na ciência, ter chegado a esse consenso, a essa unidade sobre as ações de combate ao coronavírus”, avalia o líder do Podemos na Câmara.

Na opinião do deputado José Nelto (GO), a tentativa de imposição de vontades do chefe do Poder Executivo ao cobrar o uso da cloroquina e a abertura dos comércios acelerou o desligamento do ex-ministro.

“O pedido de demissão de Nelson Teich demonstra o quanto o presidente Jair Bolsonaro não aceita ser contrariado, não confia na ciência e não respeita as indicações de especialistas. O jogo político está massacrando aqueles que tentam fazer o bem”, critica o parlamentar.

Na quinta-feira (14), em uma transmissão nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que iria cobrar de Nelson Teich o uso da cloroquina, inclusive, para os casos mais simples de tratamento da Covid-19.

Senador Styvenson Valentim (RN) declarou que “ordem absurda não se cumpre“.

“Qualquer profissional com currículo técnico, da área de saúde, que decida se opor ao não uso de medicamentos sem comprovada eficácia à saúde da população, ou que se oponha ao fim do isolamento social, não conseguirá permanecer no cargo.  No caso do Nelson Teich foi isso o que ocorreu. Não aguentou a pressão e pediu para sair.  Vamos aguardar como o próximo ministro se comportará: subalterno ao subjetivismo ou alinhado à racionalidade da ciência?”,  indaga o senador.

Igor Timo (MG) lembra que o país passa por momento delicado e que a saída do ex-ministro é preocupante.

“Em meio à pandemia da Covid-19, que já fez mais 13 mil vítimas no Brasil, é preocupante ver esse pedido de demissão. Ele soma o segundo ministro a abandonar o cargo, antes mesmo que o país supere a crise. E fica a pergunta: qual o rumo a saúde tomará?”, questiona o deputado.

Na mesma linha, Roberto de Lucena (SP) avalia com apreensão a decisão tomada por Nelson Teich.

“Este é o momento em que precisamos da liderança do Ministério da Saúde para enfrentarmos a mais grave ameaça, o maior desafio da história recente do Brasil. A saída é preocupante”, analisa o deputado.

Até o momento, de acordo com apurações de veículos de imprensa, os nomes mais cotados para assumir a pasta são: o general Eduardo Pazuello, a médica Nise Yamaguchi e o ex-deputado federal Osmar Terra.

Pelas redes sociais, o deputado federal José Medeiros (MT) defendeu o perfil de Osmar Terra para o cargo.

“O nome certo pra saúde precisa ser Osmar Terra. Simples assim”, defende o parlamentar.

Nelson Teich deixa o cargo de ministro da Saúde com apenas 27 dias à frente da gestão da pasta.

“A vida é feita de escolhas, e eu escolhi sair. Deixo um plano pronto para auxiliar prefeitos e governadores”, despediu-se o ex-ministro da Saúde.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil já registra13.993 vítimas e 202.918 casos confirmados do novo coronavírus.