Deputado Roberto de Lucena defende incluir R$ 654 milhões de imóveis da União na Reforma da Previdência

O deputado Roberto de Lucena (Podemos/SP) teve acesso a dados enviados pelo Ministério da Economia que mostram que há 50,8 mil imóveis de uso especial sob gestão da Secretaria de Patrimônio da União, do
Governo Federal. Em valores não-corrigidos, esses imóveis – que pertencem ao INSS – somam R$ 654 bilhões.

Com os números em mãos, obtidos por meio de um Requerimento de Informações, Lucena lançou um desafio no Plenário da Câmara: estudar, juntamente com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, a formação de um Fundo de Investimento Imobiliário lastreado por essa carteira de imóveis.

“A ideia, caso seja viável a criação deste fundo, é selecionar os bens passíveis de compor esse fundo, atualizar o valor de mercado e atrair investidores”, explicou Lucena.

Áreas nobres de Brasília

Os primeiros dados fornecidos demonstram que, só em Brasília, existem 225 imóveis, localizados em áreas nobres da cidade. Na Área Octogonal Sul, por exemplo, são 130 apartamentos, seis boxes de garagem e um escritório. Anúncios na Internet mostram que moradias nesta área, dependendo do tamanho do imóvel, estão avaliados em preços que variam de R$ 650 mil a R$ 1,5 milhão. Recursos poderiam ajudar a compensar o déficit da Previdência.

Segundo o deputado do Podemos, em valores de mercado atualizados, esses imóveis poderiam ajudar a cobrir o rombo da Previdência. “Se o relator da Reforma estima uma economia de R$ 913 bilhões em 10 anos, temos aí uma variável que já cobriria o eventual rombo, e ainda sobraria dinheiro”, disse Roberto de Lucena.

“Eu não consigo imaginar que nos debrucemos sobre uma Reforma da Previdência que vai atingir a vida de milhões de brasileiros e que vai impactar as futuras gerações, e não levemos em conta a existência de um
patrimônio desta magnitude”, enfatizou. Lucena é favorável à Reforma, mas com ajustes. “A Reforma é necessária e urgente, pois precisamos garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário, mas ela precisa ser justa com os trabalhadores, com os idosos e as pessoas mais pobres”.