Eduardo Girão afirma ter sido impedido de falar em sessão que aprovou MP 870

O senador Eduardo Girão reclamou, na sessão plenária desta quarta-feira (29/05), que teve a palavra cassada na sessão de terça-feira do Senado, pouco antes de ser votada e aprovada a Medida Provisória (MP 870/2019), que trata da reorganização da Presidência da República e redução do número de ministérios. O senador do Podemos do Ceará pediu explicações ao presidente da casa, Davi Alcolumbre, sobre os motivos de ter sido impedido de falar na sessão.

“No final, antes do término da sessão, antes da votação, que foi simbólica, eu pedi, com o Regimento na mão, a palavra ao Presidente do Senado. Eu não sei se ele vai comandar a sessão hoje, mas faço questão de demonstrar-lhe esse meu desagravo. Eu fui calado. Não me deram a palavra. Ele não me deu a palavra.
Então, isso, num Parlamento, numa Casa onde existe respeito, onde existe tolerância, serenidade, eu pensava que não iria acontecer nesta legislatura. A gente via isso acontecer pela televisão, mas eu disse, poxa, não é possível que esse tipo de coisa, depois de tantas mudanças que o Brasil teve, depois de tantas investigações, impeachments, de situações, aqui, de deliberações traumáticas, que um Senador fosse desrespeitado, da maneira como eu fui, cassando minha palavra, num pedido da palavra pela ordem. Foi um pedido da palavra pela ordem. Eu estava lá com o artigo direitinho para colocar a situação, e não pude nem me manifestar, porque o pela ordem poderia ser rejeitado e poderia ter havido a votação. Então, como representante do Estado do Ceará, eu quero dizer que fiquei frustrado com o que aconteceu e exijo uma explicação”, afirmou o senador do Podemos.

Eduardo Girão criticou também que não tenha sido revertida a decisão da Câmara dos Deputados de retirar do Ministério da Justiça o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Para Eduardo Girão, a população brasileira exige que o órgão volte ao controle do ministro Sergio Moro.

“Entre governo e os anseios do povo brasileiro, eu sempre vou ficar ao lado do povo brasileiro. E foi essa a postura ontem. O povo foi às ruas pedir o Coaf no Ministério da Justiça. Eu já estava convencido disso, respeito quem pensa diferente. Algo que a gente já estava estudando pela complexidade do Brasil, embora em muitos países o Coaf, os órgãos similares fiquem no Ministério da Economia. Mas o Brasil é atípico no que nós estamos vivendo aqui, a corrupção”, disse o senador.