Moro diz ao senador Lasier que o combate à corrupção é sim prioridade do governo

O ministro da Justiça, Sergio Moro, durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (27/03) na CCJ, em resposta a questionamento do senador Lasier Martins (Pode-RS), afirmou que considera prioridade a aprovação do pacote anticrime na Câmara, mesmo reconhecendo a urgência da aprovação da reforma da Previdência para “corrigir injustiças e sanar a crise fiscal”. “Congresso e governo vão se unir para tratar do sistema previdenciário. Mas a questão da segurança também é prioridade e precisa ser aprovada o quanto antes”, comentou o ministro.

Lasier perguntou se procedia a “crítica grosseira” de Maia de que os projetos entregues por Moro eram mera cópia dos apresentados pelo ex-ministro da Justiça Alexandre de Morais. O convidado reconheceu que há pontos convergentes entre os dois conjuntos de projetos, mas ressaltou que o dele é essencialmente diferente e bem mais amplo, incluindo temas novos como escuta ambiental e bancos de dados. “De toda forma, o que importa não é o autor, mas se a lei sugerida é boa”, pontuou. O ministro Moro também defendeu como essencial o compartilhamento de dados entre Receita e investigadores de crimes, para viabilizar ações rápidas, a exemplo do combate ao tráfico na fronteira.

Ainda sobre as agressões verbais sofridas da parte do presidente da Câmara, Moro considerou “problema contornado” os impasses gerados pela “troca de palavras ásperas” entre ele e Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Vamos juntos investir no diálogo e decidir o que é melhor para o país, sem prolongar mais esse desentendimento”, sublinhou. Também em resposta ao senador Lasier, autor do convite ao ministro para comparecer à Comissão de Constituição e Justiça, Moro rechaçou a hipótese de tirar o combate à corrupção do seu pacote para atender a pedidos de parlamentares. “É preciso responder aos anseios da população nesse tema”, disse.

Sobre a perspectiva de o Supremo Tribunal Federal tratar, no próximo dia 10, da questão da prisão após condenação em segunda instância, Moro disse a Lasier que crê na manutenção do entendimento atual, favorável à execução das penas. “O Supremo decidiu quatro vezes sobre o tema e está provado que a última decisão ajuda a Justiça funcionar com tempo razoável e não só nos crimes de colarinho branco e corrupção. De nada adianta haver penas duras sem a sua aplicabilidade”, reforçou. Moro acrescentou que “presunção de inocência não é algo inviolável” e que o governo assumirá a liderança neste debate para manter a eficiência da Justiça.