Parlamento discute o combate às fake news e os impactos na democracia

A preocupação com a divulgação de notícias falsas levou o parlamento brasileiro a promover o “Seminário Fake News, Redes Sociais e Democracia”. O evento, iniciado nesta quarta-feira (25), é uma iniciativa da Secretaria de Participação, Interação e Mídias Digitais (Semid), em parceria com a Procuradoria Parlamentar e a Secretaria da Transparência (Setran).

Secretário de Transparência da Câmara e autor de um projeto que criminaliza a disseminação de fake news, o deputado Roberto de Lucena (Podemos-SP) acredita que a inciativa do parlamento serve para despertar a atenção da população brasileira sobre os riscos que as notícias falsas podem oferecer à transparência e à democracia.

“A proliferação de notícias falsas causa prejuízos, muitas vezes irreparáveis, e nós, parlamentares, temos a responsabilidade de dar uma resposta à sociedade, de buscarmos soluções para este problema”, ressalta o parlamentar.

O Presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, lembrou que instituições – pilares da democracia – são alvos constantes de fake news.

“Uma fake news que virou tradição aqui no Parlamento é que a gente trabalha oito anos e se aposenta com salário integral. Isso virou uma febre. Toda semana tem alguém mandando essa fake news, gerando raiva, ódio das pessoas nas instituições”, observa.

Na mesma linha, o Presidente do Superior Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, um dos palestrantes do evento, reforçou a preocupação com o ódio gerado pelas fake news à democracia.

“É uma questão muito importante para o Estado democrático de direito. As fake news querem disseminar o medo do outro, do diferente. E ao disseminar o medo, se planta a semente do ódio”, constata.

Segundo pesquisa da Folha de São Paulo os veículos de comunicação que não divulgam notícias falsas registraram uma queda de 17% na interatividade entre os leitores. Em contrapartida sites com fontes e informações falsas tiveram aumento de 61%.

O termo fake news teve maior evidência nas eleições americanas de 2016 quando Hillary Clinton e Donald Trump disputavam o cargo de presidente da república. E no Brasil a disseminação de notícias falsas já causou mortes e reaparecimento de doenças antes controladas pelo Ministério da Saúde, como o Sarampo.

No Brasil algumas instituições como a Fundação Getúlio Vargas e veículos de comunicação como Revista Piauí e Grupo Rede Globo já adotam sistemas para combater fake news. No parlamento, o deputado Lucena é autor de um projeto de lei que criminaliza a divulgação de fake news.

O “Seminário Fake News, Redes Sociais e Democracia” prossegue nesta quinta-feira (26). Confira a programação completa no site da Agência Câmara de Notícias.