“Por que Paulo Guedes não apoia fim dos jetons e supersalários? É preciso dar exemplo antes de exigir sacrifício do servidor”, critica Léo Moraes

Líder do Podemos, o deputado federal Léo Moraes critica o pedido de veto feito pelo ministro Paulo Guedes, nesta quinta-feira (7), ao presidente Jair Bolsonaro para manter o congelamento de salários de servidores durante a crise do coronavírus. Para o parlamentar, há uma série de gastos extras que precisam ser revistos, como pagamento de jetons, diárias e outros penduricalhos, antes do governo atacar a remuneração básica do serviço público.

Léo Moraes lembra que países com economias liberais têm garantido a renda e injetado dinheiro no bolso da população como forma de retomada da economia.

“Mirar na remuneração básica do servidor é uma fumaça para manter intacta a estrutura de bonificação extra, os privilégios do alto escalão, que sacrificam o Brasil no longo prazo. Por que o Paulo Guedes não fala em cortar jetons, diárias e nem defende junto ao Congresso o fim dos supersalários” questiona o líder do Podemos.

De acordo com o Portal da Transparência, por apenas uma viagem internacional, Paulo Guedes recebeu mais de R$ 20 mil em reembolso.

“A realidade do Paulo Guedes e de seus auxiliares não é a mesma do servidor do executivo municipal, que tem média salarial de R$ 3 mil. Com um pouco de criatividade e coragem é possível chegar na economia desejada pelo governo sem precisar congelar salários de servidores que estão na linha de frente do combate ao coronavírus”, observa Léo Moraes.

Outro defensor do congelamento de salários, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto de Almeida, recebeu 75,2 mil em jetons nos últimos seis meses. Além disso, por 92 viagens, entre 2016 e 2020, o secretário foi reembolsado em R$ 313,9 mil dos cofres públicos.

Jetons e supersalários

Além da estrutura federal, cada estado também têm seus próprios conselhos fiscais e administrativos remunerados. Em decisão recente, o Supremo Tribunal Federal admitiu que políticos e servidores podem acumular salários mais o valor dos jetons, sem que essa gratificação extra esteja sujeita ao teto do funcionalismo público. Só o fim dos supersalários geraria uma economia de R$ 20 bilhões por ano, de acordo com a imprensa.