Reforma Tributária, investimentos públicos e pacto entre Estado e iniciativa privada: Parlamentares do Podemos apontam saídas para a crise provocada pelo coronavírus

Diante da crise provocada pela Covid-19 no país, deputados e senadores do Podemos apontam soluções para a retomada do crescimento econômico brasileiro. No curto prazo, o investimento público para reconstrução do país, no longo prazo, a Reforma Tributária é citada pela maioria como a principal medida de impacto para geração de empregos e expansão da economia.

O deputado José Nelto (GO) propõe a criação de um “Plano Marshall” para o Brasil, semelhante ao Programa de Recuperação da Europa, patrocinado pelos Estados Unidos, que injetou U$ 100 bilhões em valores atuais na reconstrução de países europeus, pós segunda Guerra Mundial.

“Defendo um Plano Marshall brasileiro. Não há outra alternativa. O governo tem que rodar a maquininha”, diz José Nelto, que também é favorável à criação de um fundo social para atender a população de maneira mais urgente em novos casos de pandemias.

“Não pode se repetir o que está acontecendo agora”, adverte Nelto.

Líder do Podemos no Senado, Alvaro Dias (PR) lembra que o Brasil vive duas crises simultâneas: uma na saúde e outra da economia. O senador reforça que o momento exige empenho de todos os segmentos para, prioritariamente, aprovar medidas emergenciais que atendam a população.

“Temos que trabalhar para salvar vidas, de um lado, e para salvar empresas, empregos e salários, de outro. O governo tem de adotar linhas de crédito que possibilitem salvar as empresas, vinculado à manutenção dos empregos e salários. Isso é essencial nesse momento. Este deve ser o nosso foco”, sinaliza Alvaro Dias.

Em abril, o Ministério da Economia divulgou estimativa de R$ 1,1 trilhão, até 2021, em investimentos diretos nas ações de combate ao coronavírus e em isenção e prorrogação de tributos para manutenção de empregos.

O valor corresponde a 44% do que será arrecadado somente esse ano em impostos, cerca de R$ 2,5 trilhões. De acordo com dados site Impostômetro, o brasileiro trabalha 153 dias por ano só para pagar impostos, e a carga no país representa aproximadamente 36% total do PIB.

“Certamente, um esforço conjunto entre o parlamento, o governo e também a classe produtiva permitirá novas reformas estruturantes, que passam inclusive por incentivos, mudanças de tributação, investimentos públicos e muita capacidade criativa de nossos empresários e do povo brasileiro”, aponta o deputado Roberto Lucena (SP), secretário de Transparência da Câmara.

O deputado Eduardo Braide (MA) também defende a necessidade de aprovação da Reforma Tributária.

“Em primeiro lugar, devemos aprovar medidas que mantenham os atuais empregos nesse momento de pandemia. E logo após, a Reforma Tributária deve ser o principal norte para a retomada do crescimento econômico do país”, avalia o parlamentar.

A mesma posição é defendia pelo senador Oriovisto Guimarães (PR).

“Quando a pandemia passar, é muito importante que o foco não seja perdido. Precisamos discutir e aprovar reformas estruturais”, cobra.

Styvenson Valentim (RN) avalia que o endividamento público, que opera em linha crescimento no país, obrigará a apreciação de reformas essenciais, para tornar o Estado menos pesado e mais eficiente para a nação.

“Temos que simplificar a complexa tributação brasileira e gastar de forma eficiente. Não dá mais para aceitar os métodos de gestão, administração e devolução de serviços públicos atuais. São muitos impostos sobre a população e empresas, péssimos serviços públicos, estado inchado, sem capacidade de investir”, observa o senador.

Styvenson também cita a retomada das privatizações e o controle da máquina pública para que o país não perca credibilidade exterior.

“Precisamos atrair capital estrangeiro, oferecendo mais segurança para o investidor. É preciso também reavaliar e debater as privatizações e concessões.  Só assim poderemos pensar em retomar o crescimento econômico e fazer o país voltar a se desenvolver “, assinala.

Economia estava em recuperação

O deputado federal José Medeiros (MT) elogia o trabalho da equipe econômica, sob o comando do ministro Paulo Guedes, e lamenta que a crise do coronavírus tenha atingido o Brasil em um momento que o país estava em franca recuperação. O parlamentar defende um pacto que inclua os setores da iniciativa privada.

“O Brasil é um gigante! A pandemia acabou ofuscando um ano em que batemos recorde de produção agropecuária e assumimos, definitivamente, o topo mundial desse setor. A tarefa agora é sermos criativos e chamar a iniciativa privada para um grande pacto pró-Brasil. O país readquiriu a confiança, não temos mais o orçamento público sendo sangrado pela corrupção. Com os direcionamentos de Paulo Guedes, podemos transformar essa crise em uma grande oportunidade para alavancarmos nossa economia”, acredita o parlamentar.

Mudança mundial na economia

Igor Timo (MG) aposta na mudança do modelo econômico em âmbito mundial, após a pandemia da Covid-19.

“A economia global passa por um momento delicado e de fragilidade. Para retomarmos o crescimento, teremos que repensar o modelo econômico mundial, o capitalismo, pois ele corrói as relações internacionais, além de causar rupturas nas relações humanas”, prevê.