Rose de Freitas homenageia mulheres com o Prêmio Bertha Lutz, no Senado

As doze senadoras do Congresso Nacional homenagearam, nesta terça-feira (26/03), 23 mulheres – 11 delas in memorian – que contribuíram e ainda contribuem com ações em defesa da igualdade de gênero e do direito feminino. Esta foi a 18ª edição da solenidade de entrega do Diploma Bertha Lutz no Senado, prêmio que lembra a história de guerreiras que são referência na luta pelas mulheres.

Além das 23 escolhidas, a bancada feminina do Senado Federal decidiu agraciar um homem este ano, com o intuito de “mostrar que a luta deve ser em conjunto; mostrar que mulher e homem têm de olhar na mesma direção”. O indicado foi o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto.

Após abertura feita pelo presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), a senadora Rose de Freitas, do Podemos do Espírito Santo, autora do requerimento para realização da Sessão, foi convidada a presidir os trabalhos. No decorrer das homenagens, as senadoras revezaram-se na principal cadeira da Casa.

Rose homenageou a juíza de direito Hermínia Maria Silveira Azoury, coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no Espírito Santo. Já a indicada in memorian da senadora foi a professora Helley de Abreu Silva Batista, que se tornou heroína nacional ao dar sua vida para salvar 25 crianças na tragédia da creche em Janaúba, Minas Gerais, em outubro de 2017 – 14 pessoas morreram após o vigia da instituição colocar fogo no próprio corpo e em alunos e professores.

A Juíza Hermínia agradeceu ao receber o diploma: “Quero deixar a gratidão à senadora do meu Estado, que tão bem representa o Espírito Santo. Quero dizer da minha alegria de ver a compensação emocional, digamos assim, de toda luta, toda luta travada, mas para o bem daqueles que aguardam e esperam por nós”, ressaltou.

Rose lembrou da importância da magistrada na luta pelas mulheres: “A juíza Hermínia é quase que uma consciência externa de todas nós. É criadora do “Botão do Pânico” e de uma vara itinerante (um ônibus equipado) em busca de atender mulheres sem acesso ao direito”.

Em seguida, a senadora entregou o prêmio ao representante e irmão da professora Helley de Abreu, Marconey Abreu Silva. Ao abraçar Rose e receber o diploma, Marconey derramou lágrimas. Em seu discurso agradeceu a Deus e às senadoras.

Marielle Presente – Rose citou, em sua fala inicial, o nome de todas as homenageadas. E lamentou casos de violência como o assassinato, há pouco mais de um ano, da vereadora carioca e feminista Marielle Franco, que foi indicada ao diploma Bertha Lutz pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

“E quão é difícil neste país descobrir quem matou Marielle”, questionou Rose. A senadora acrescentou: “E, infelizmente, 2019 [também] tem exibido uma vertiginosa e nauseante sequência de agressões e feminicídio, sempre de forma covarde”.

Laissa Guerreira – Um show à parte foi o discurso de Laissa Polyanna da Silva Vasconcellos, a Laissa Guerreira, 12 anos, homenageada da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB). Ativista, blogueira e nascida em Campina Grande, na Paraíba, há oito anos ela foi acometida por Atrofia Muscular Espinhal (AME), doença neuromuscular crônica e progressiva que afeta a transmissão nervosa. A guerreira não desistiu, fez sua luta repercutir e ganhou tratamento adequado à sua doença.

Da cadeira de rodas e com entonação firme, a jovem discursou: “O que pensar, o que sentir, o que fazer quando você descobre que tem uma doença rara, uma doença que irá te degenerar, ceifar sua vida gradativamente?”, iniciou.

Emocionou-se em seguida. Chorou, respirou e seguiu com suas palavras: “Este dia ficará marcado em toda a minha vida. Como o versículo bíblico, cuja mensagem divina me encoraja a continuar vivendo e lutando. Deus me proporcionou este momento grandioso. Mostrando que tudo tem um propósito, tem uma solução. Dedico este momento a todos os acometidos de doenças raras (…), a pessoas com deficiência (…), à minha Paraíba amada. Nunca desistam dos seus sonhos. Nunca desistam de vocês mesmos”.

Bertha Lutz (1894-1976) – Referência para o movimento feminista, foi a segunda mulher a se tornar deputada federal na história do país. Formada em biologia e direito, foi ainda a primeira mulher a integrar uma delegação diplomática brasileira, em 1945, na conferência em que foi redigida a Carta das Nações Unidas; bem como integrou a delegação brasileira à Conferência do Ano Internacional da Mulher, no México, em 1975.