Senador Eduardo Girão afirma ser contra a liberação da posse de armas de fogo

Ao relembrar um drama pessoal que viveu há exatamente um ano, no dia 14 de fevereiro, o senador Eduardo Girão, do Podemos do Ceará, no Plenário, criticou a disposição do atual governo federal em liberar a posse de armas de fogo no Brasil. Em seu pronunciamento, o senador Girão afirmou que o número de mortes será muito maior se o governo cometer o equívoco de facilitar o acesso às armas.

“A arma de fogo é um instrumento que foi concebido, no século 15, com um objetivo: matar. A gente não tem como dourar a pílula sobre isso. E eu acredito muito que um controle de armas rigoroso é o que um país, que realmente defende a vida, que defende realmente valores e princípios, deve adotar”, disse.

O senador do Podemos revelou na Tribuna que no dia 14 de fevereiro de 2018, o colégio em que sua filha estudava nos Estados Unidos foi palco de uma grande tragédia. Segundo explicou o senador Girão, um jovem de 18 anos, armado, invadiu a escola e atirou em diversos estudantes, deixando um rastro de sangue por onde passou. A filha do senador, que estava no mesmo andar em que aconteceram as 17 mortes, conseguiu se salvar e escapou ilesa do atentado. O senador destacou que o atirador adquiriu a arma legalmente. “Nos Estados Unidos, o acesso a armas de fogo é muito fácil; é uma cultura americana que vem desde a independência. Aquele jovem tinha problemas mentais, mas vejam, que por força de algum distúrbio, como a depressão, por exemplo, que é um grande mal, num desequilíbrio, numa briga com os pais, numa briga com o chefe, numa discussão de trânsito, a pessoa pode estragar a sua vida e a de outras pessoas pelo resto dos seus dias. E foi isso que aconteceu naquela tarde do dia 14 de fevereiro de 2018, quando eu vi a aflição de centenas de pais, de centenas de alunos, e 17 vidas foram ceifadas em poucos minutos”, revelou o parlamentar.

Na sua argumentação contrária à flexibilização da posse de armamentos, Eduardo Girão mencionou no seu discurso dados estatísticos sobre o número de mortes por arma de fogo no Brasil, e disse que dar o porte é o mesmo que “apagar o incêndio da segurança pública jogando querosene, jogando gasolina”. Segundo ele, as estatísticas comprovam essa linha de pensamento. Ele citou que 80% das pessoas que reagem a um assalto e estão armadas ou perdem a arma ou perdem a vida. Essa arma perdida, afirmou, vai migrar para o crime organizado.

O senador Girão elogiou ainda o Estatuto do Desarmamento, que considera bem-sucedido. Ele informou que o estatuto poupou 160 mil vidas, a partir da entrada em vigor, em 2003. Ele disse ainda que, para tornar a legislação mais eficiente, é preciso intensificar as fiscalizações. “Precisamos reparar algumas falhas, com uma aplicação mais efetiva de blitz, de buscas e apreensões nas ruas para a retirada de armas ilegais. Isso não houve infelizmente, no Brasil, como política pública dos últimos governos, um foco na retirada dessas armas”, avaliou o senador Eduardo Girão.