Styvenson Valentim pede desburocratização de processo para doação de órgãos

Apesar de o Brasil ser uma referência mundial de transplantes, o país precisa corrigir algumas deficiências nesse setor. Essa foi a opinião externada pelo senador Styvenson Valentim, do Podemos, durante discurso no Plenário nesta quinta-feira (04/04). Segundo o senador, um dos problemas é a falta de consentimento das famílias para a doação dos órgãos de um ente falecido.

No seu pronunciamento, o senador Styvenson criticou a burocracia do processo para a realização de cirurgias de transplante. No Rio Grande do Norte, apesar da atuação de profissionais capacitados, não há hospitais credenciados para esse tipo de procedimento, afirmou.

“É a vida dependendo da burocracia que passa por nós aqui. Essa burocracia fomos nós que criamos e somos nós que podemos mantê-la ou acabar com ela. São vidas que estão lá fora. Eu acredito que, se fosse o filho de qualquer Senador ou de qualquer Senadora, mover-se-iam céus e terras para poder salvá-lo. Mudariam a lei, mudariam a Constituição para salvar o filho ou a filha, mas, como é a filha de uma pessoa que a gente não conhece, que a gente nunca viu, a gente não se importa com ela? Vai esperar sentir na própria pele para tomar uma atitude e modificar a postura de uma lei que trata a vida, que trata a saúde, que trata a educação, que trata a segurança pública com tanta burocracia?”, questionou Styvenson.

Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, mais de 32 mil pessoas aguardam, na fila de espera, pela doação de algum órgão. “Esse número é grande. Na espera por um rim, por um fígado, por um pulmão, pâncreas, córneas, são vários. Precisamos estimular cada vez mais campanhas de doação. Eu, no meu caso, sou doador de tudo. Tudo que eu puder doar, doo, ainda mais quando falecer, porque nada mais vai ser útil para mim, e sim para as pessoas que vão precisar dos meus órgãos. Então um dos principais desafios a serem enfrentados é aumentar essa taxa de consentimento familiar. Muitas vezes as pessoas não autorizam, as famílias não permitem que se tirem os órgãos. Desde 2016 essa taxa vem crescendo, e não podemos perder o ritmo”, disse o senador Styvenson Valentim.