“Temos de nos mobilizar, todos nós, diante da forte ameaça contra a maior operação de combate à corrupção no país”, afirma a presidente nacional do Podemos.

Parlamentares do Podemos acreditam que a Lava Jato sofre tentativa de desmonte após o julgamento do STF que, por maioria, sustenta a tese que pode acarretar em anulação de sentenças da Lava Jato. O caso possibilita a criação de jurisprudência ao oferecer a nulidade para cerca de 32 sentenças de 143 réus condenados pela força-tarefa e pode ser usada em outros processos.

Renata Abreu, presidente Nacional do Podemos, afirma que a operação Lava Jato é um patrimônio nacional que merece ser respeitado e preservado. “A Operação Lava Jato está tentando passar o país a limpo. Para restabelecer a moralidade em nosso Brasil, estamos juntos nessa luta sem tréguas contra a corrupção, para punir os envolvidos, sejam eles quem forem. Temos de nos mobilizar, todos nós, diante da forte ameaça contra a maior operação de combate à corrupção no país!”, destaca a deputada.

Tanto para José Nelto, líder do Podemos na Câmara, quanto para o senador Lasier Martins (RS), o placar da votação, que está com seis votos favoráveis, três contrários e pode anular a condenação de Márcio Ferreira, ex-gerente da Petrobras condenado por corrupção e lavagem de dinheiro pelo então juiz Sergio Moro, vai contra a vontade da maioria dos brasileiros.

“A esperança de que o STF saberia dimensionar e honrar a expectativa de justiça tão esperada por milhões de brasileiros foram perdidas. O sentimento de todos nós que lutamos por um país melhor é de decepção”, afirma Nelto.

“Mais do que uma derrota de Moro, ou da maior operação de combate à corrupção da história do país, o entendimento do STF, que pode anular decisões da Lava Jato, representou para a sociedade grave prejuízo”, ressalta o senador.

Alvaro Dias, líder do Podemos no Senado, manifesta apreensão com as consequências da decisão do STF e reforça que essas não podem alterar outras condenações já transitadas e julgadas no que diz respeito à Operação Lava Jato.

“Nada contra essa nova prática que quer impor o Supremo Tribunal Federal, desde que ela não signifique um retrocesso. Não vejo nenhuma diferença entre um criminoso que delata falar antes ou depois do criminoso que é delatado, ambos são criminosos. Mas é a justiça quem deve decidir e julgar. Só não pode interferir nas condenações da Operação Lava Jato. A regra deve valer daqui pra frente.”, conclui o senador.

O julgamento será retomado na próxima quarta-feira (2). Nesta sexta (27), o ministro do STF, Gilmar Mendes, em declarações à imprensa afirmou que não acredita que a decisão do julgamento iniciado possa gerar efeito dominó para anulação de sentenças da Lava Jato. Para ele a nulidade será algo bem limitado e cada caso será analisado de forma criteriosa pela Suprema Corte.